sexta-feira, 15 de janeiro de 2021
Antes de fascismo e nazismo, bolsonarismo já tinha protagonistas: demônios.
O romancista russo Fyodor Dostoiévski explorou, em sua obra, o que acontece com a sociedade quando as pessoas que chegam ao poder carecem de qualquer aparência de convicções ideológicas ou morais e veem a sociedade como desprovida de significado. Foi plenamente observável, e com semelhanças assustadoras nas ações e retórica de Bolsonaro na campanha para a eleição de 2018.
As advertências de Dostoiévski - particularmente em seu romance mais político, “Demônios”, publicado em 1872 - são mais verdadeiras do que nunca. Aplicam-se diretamente à situação que se estabeleceu no Brasil com a eleição do Bolsonaro. Os protagonistas niilistas de Dostoyevsky atuam como os mais exemplares bolsonaristas.
Embora ambientado em uma sonolenta cidade provinciana russa, "Demônios" serve como uma alegoria mais ampla de como a sede de poder em algumas pessoas, combinada com a indiferença e a recusa de responsabilidade por outras, equivalem a um niilismo devastador que consome a sociedade, fomentando o caos e custando vidas.
Some-se a esses fatores a vontade política de uma elite financeira poderosa e de interesses internacionais que controlam corações e mentes dos sedentos de poder e o resultado é justamente o Brasil da era Bolsonaro, um país facilmente devastado pelas ações de um (des)governo que não tem qualquer cuidado pelas necessidades da população nem pelos patrimônios natural e cultural do país.
Para culminar a desgraça da nação, abate-se justamente ao mesmo tempo a pandemia da covid-19, cujo combate passa a ser permanentemente sabotado pelo pretenso chefe da nação, que não apresenta mínimas manifestações de comiseração e sentimento pela morte de mais de 200 mil pessoas, número que só tende a aumentar.
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