sábado, 15 de novembro de 2008

Uma discussão profissional sobre o aborto

Aborto

É justo, sob o ponto de vista moral, interromper uma gravidez?

Carlos Alberto Pessoa Rosa*
Especial para a Página 3 Pedagogia & Comunicação
http://educacao.uol.com.br/filosofia/ult1698u34.jhtm

É inquestionável a pressão que existe pró-aborto, principalmente por parte das mulheres - duas vezes vítimas dos valores morais. Teriam elas o direito de vida e morte sobre o ser que estão concebendo? O valor de um ser em concepção é idêntico ao do ser já existente? Devemos investir no direito ao pleno desenvolvimento de um ser que já existe, controlando a natalidade, de preferência com métodos não abortivos - mas até com eles, se necessário -, ou devemos fechar os olhos à triste realidade da superpopulação, da miséria, e dos crimes cometidos contra os mais fracos - sejam velhos, doentes ou crianças vítimas da fome?

Quando começa a vida?

Ao considerarmos o aborto a interrupção de uma vida, duas questões se colocam: que vida é essa e onde ela começa? Diante do problema, Aristóteles dividiu o conceito de vida em três estágios:

  • o da vida nutritiva, comum a todos os seres vivos, que no caso humano já existe quando o sêmen, diante da coagulação sanguínea feminina, produz um embrião;
  • a vida sensível, partilhada pelos homens e outros animais, menos pelos vegetais;
  • a vida racional, quando, depois de 40 dias da concepção para o homem e 90 dias, para a mulher, o racional entraria no embrião.


Para Aristóteles é a presença concomitante das três formas de vida que nos permite afirmar a existência de um ser humano.

O cristianismo, através de São Tomás de Aquino, incorporou as idéias do filósofo, mas, pela impossibilidade de a ciência precisar o momento da entrada do racional no embrião, a Igreja optou por considerá-lo pessoa humana desde a fecundação, o que passou a ser a base da doutrina oficial católica.

Embriões e fetos

Recentemente, manipular embriões em laboratório permitiu descobrir que eles não são um simples agregado de células, mas que é possível saber, vinte e quatro horas após a fecundação, como as células vão se diferenciar. Séculos se passaram e não temos como determinar onde se inicia a vida, o que esquenta a discussão ética e jurídica sobre a utilização de embriões - aqui, fora do útero - pela ciência.

Alguns autores, extremamente contrários ao aborto, consideram que não há diferença entre um embrião, um feto ou um recém-nascido, como podemos verificar na opinião de J. Harris:

"... Eu espero que tenhamos alcançado o ponto no qual ficará claro que os recém-nascidos, os bebês, os neonatos têm, qual seja, o status moral dos fetos, embriões e zigotos. Se o aborto é justificável, também o é o infanticídio (...)"

O aborto e o coito interrompido são os métodos de controle de natalidade mais utilizados principalmente nos países mais pobres, como é o caso da América Latina e África. Logicamente, o coito interrompido, pela ineficiência do método, leva um maior número de mulheres à gravidez indesejada e, conseqüentemente, ao aborto, perpetuando o problema.

Classificando o aborto

Quanto à interrupção da gravidez, ela pode ser:

  • eugênica, como a praticada pelos nazistas que obrigaram as mulheres judias, ciganas e negras a abortarem - esta é a única forma que não leva em conta a vontade da gestante ou do casal;
  • terapêutica, para salvar a vida da gestante;
  • seletiva, para interromper gravidez quando da ocorrência de malformações fetais (por exemplo, em casos de anencefalia, quando o feto não tem cérebro);
  • voluntária, em nome da autonomia reprodutiva, quando não se deseja a gravidez, nos casos de estupro ou de uma relação consensual.


No Brasil, até muito recentemente o aborto era legal apenas em casos de estupro e para salvar a mãe. Data de 2005 a decisão do Superior Tribunal de Justiça (STJ) de legalizá-lo também nos casos de anencefalia. Mesmo assim, estimou-se que o total de abortos induzidos em 1991 foi de 1.443.350 na faixa de 15 a 49 anos. Recorrer ao aborto torna-se cada vez mais freqüente entre as jovens que engravidam mais precocemente.

Em função da ilegalidade, recorre-se ao aborto clandestino, o que condena muitas mulheres à morte pelas complicações infecciosas e hemorrágicas. Na zona rural da América Latina, apenas 5% das mulheres que vivem no campo são assistidas por médicos quando do aborto. Entre as mulheres pobres urbanas 19%, chegando a 79% entre as mulheres urbanas de renda superior.

Liberdade ou transcendência


A discussão sobre o aborto passa por dois extremos: de um lado, os que defendem a ética da prática a partir do princípio de liberdade, e de outro, os que afirmam a transcendência do ser humano. Para os primeiros, a autonomia é o determinante ético maior, devendo-se respeitar a decisão do casal ou da mulher sobre o aborto, independentemente do motivo. Para os segundos, fundamentados na dimensão transcendental, a santidade da vida é o determinante ético maior, devendo-se considerar o aborto um crime.

Os debates acaloram-se, principalmente nos países pobres, onde a Igreja ainda tem um peso importante nas decisões. A realidade nesses países não só limita o poder de decisão individual em função das condições de vida impostas pelo Estado, em geral ineficaz e corrupto, como também joga as mulheres na clandestinidade do aborto que, realizado por não médicos, aumenta o risco de morte.

Abortos clandestinos

A clandestinidade abortiva é uma difícil realidade praticada no traseiro ou no centro das cidades. Quanto mais pobre a mulher, mais próxima da promiscuidade, da falta de cuidado, da utilização de instrumentos inadequados e de substâncias tóxicas, maior seu risco de morte. É de conhecimento geral que a mortalidade de mulheres que praticam o aborto é muito alto nos países onde ele é proibido.

E o que fazemos? Ao invés de educarmos para a vida, mantemos milhões no analfabetismo e na ignorância. Pior, negamos aos miseráveis o direito ao saber, à consciência dos riscos impostos pelo ato, à oportunidade de ser ouvido e encontrar soluções menos violentas. Contra ou a favor, a realidade está posta... A única certeza: a clandestinidade abortiva é patogênica.

É dever da sociedade, através de políticas eficientes, democratizar o direito à dignidade humana e oferecer instituições de acolhimento em estruturas especializadas que orientem as mulheres quanto aos métodos de controle de natalidade, permitindo-lhes suporte psicológico e social quando grávidas, para que exerçam seu direito de decidir ou não pelo aborto. Não podemos abandoná-las ao deus-dará. Não é ético, não é moral, não é justo.
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*Carlos Alberto Pessoa Rosa é médico e escritor, membro da Sociedade Brasileira de Bioética. Contato: meiotom@uol.com.br

sábado, 8 de novembro de 2008

Álbum de fotografias da filmografia de James Bond, o agente 007

A propósito do lançamento do filme "007 - Quantum of Solace" (2008), de Marc Foster, uma jornada sangrenta em busca de vingança que marca o retorno de Daniel Craig no papel de James Bond e a estréia da atriz ucraniana Olga Kurylenko, veja no link abaixo um álbum de fotos da filmografia desse personagem de Ian Fleming ao longo do tempo:
http://cinema.uol.com.br/album/james-bond_album.jhtm?abrefoto=2

segunda-feira, 3 de novembro de 2008

'Antigos e soltos', inéditos póstumos de Ana Cristina Cesar aos 25 anos de sua morte

IMS publica compilação com inéditos de Ana Cristina Cesar


Rio de Janeiro - 1982
Registro familiar




O Instituto Moreira Sales (IMS) lançou no último dia 29 de Outubro Antigos e soltos, compilação com escritos inéditos da carioca Ana Cristina Cesar (1952-1983).

A data marca o aniversário de 25 anos de morte da poeta e reuniu no IMS/RJ uma mesa- redonda com Armando Freitas Filho, Clara Alvim e Viviana Bosi, responsável pela organização do livro.

O encontro também contou com a declamação de poemas de Ana Cristina nas vozes dos escritores Antonio Cícero, Claudia Roquette-Pinto, Francisco Alvim, Eucanaã Ferraz e Angela Melim.

***

Verbete na Wikipedia:
http://pt.wikipedia.org/wiki/Ana_Cristina_C%C3%A9sar

Ana Cristina Cruz Cesar (Rio de Janeiro, 2 de junho de 1952 — Rio de Janeiro, 29 de outubro de 1983), ou ainda simplesmente Ana C., filha de Waldo Aranha Lenz Cesar e Maria Luiza Cesar, nasceu em família culta de classe média e protestante, numa década de 1950 quase bucólica do Rio de Janeiro. Criou-se entre Niterói, Copacabana e os jardins do velho Bennet. É uma das principais poetas da geração mimeógrafo ou da chamada literatura udigrudi ou marginal dos anos 1970.

Vida

Começou a escrever ainda criança - antes mesmo de ser alfabetizada, aos 4 anos, ditava poemas para que a mãe os escrevesse. A escrita sempre lhe dominou a vida. Em 1969, viaja à Inglaterra em intercâmbio e passa um período em Londres, onde trava contato com a literatura em língua inglesa. Quando volta da Inglaterra, Emily Dickinson (Estados Unidos), Sylvia Plath (Estados Unidos) e Katherine Mansfield (Nova Zelândia) na mala, dedica-se a escrever, traduzir e entra para a Faculdade de Letras da PUC do Rio, aos 19 anos.

Começa a publicar poemas e textos de prosa poética na década de 1970 em coletâneas, revistas e jornais alternativos. Seus primeiros livros, Cenas de Abril e Correspondência Completa, são lançados em edições independentes. As atividades não param: pesquisa literária, um mestrado em comunicação na UFRJ, outra temporada na Inglaterra para um mestrado em tradução literária (na Universidade de Essex), em 1980, e a volta ao Rio, onde publicou Luvas de Pelica, escrito na Inglaterra.

Em suas obras, mantém uma fina linha entre o ficcional e o autobiográfico.

Suicidou-se, atirando-se do apartamento dos pais.


Principais obras

Poesia

Crítica

  • Crítica e Tradução - (1999)

Variados


***

Fui contemporâneo da Ana Cristina Cesar na PUC/RJ quando então cursava graduação em física (1971- 1974).

Não tive amizade com ela, mas a conhecia de uma breve convivência coletiva no Departamento de Letras da PUC, onde cheguei a cumprir uma disciplina de Inglês durante um semestre letivo.

Admirava sua beleza, seu jeito de ser, mas só a via muito esporadicamente.

Sabia que se tratava de uma pessoa culta e que escrevia poesias (acho que uma colega comum me falou isso), mas nunca tive oportunidade de conhecê-la pessoalmente.

Quando realizava o mestrado na Unicamp, deparei- me com o lançamento do livro da Heloísa Buarque, em que a Ana Cristina Cesar integra o grupo dos 26 poetas escolhidos como representativos de meados dos anos 1970.

Comprei- o imediatamente e o releio até hoje.

Os versos da Ana lá contidos sempre me trazem à lembraça sua imagem inesquecível.

Eis uma pessoa que lamento profundamente não ter tido a chance de desenvolver uma amizade.

Destaco aqui, desta antologia da Heloísa, uma participação da Ana Cristina Cesar, como uma forma de homenageá- la: (fico devendo a postagem agora)

domingo, 2 de novembro de 2008

Banda larga cordel

O ex- ministro da cultura do Brasil, Gilberto Gil, volta às suas atividades como cantor e compositor com show cuja mensagem é a necessidade urgente da inclusão digital. A música título é "Banda larga cordel".

Veja video:
http://tvuol.uol.com.br/#view/id=metropolis--entrevista-com-gilberto-gil-
04023464D4B12326/user=92db81ral8qx/date=2008-10-31&&list/
type=all/name=Todos%20os%20v%EDdeos/edFilter=all/sort=mostRecent/

Conheça mais sobre a vida e a obra de Gilberto Gil em www.gilbertogil.com.br

Barack Obama é o cara!

Com um adversário como John McCain, não é difícil ser o eleito, desde que se aja honestamente.