domingo, 3 de maio de 2020

O Brasil de 2019 virou um estado autocrático

O Brasil de 2019 está irreconhecível. Mas não ficou assim de um dia para outro. De fato, o degringolamento começou de modo bizarro em 2013. Ao longo do primeiro semestre deste ano, algumas manifestações aconteceram em umas poucas capitais, motivadas em primeiro lugar pela rejeição de estudantes ao aumento da passagem nos transportes coletivos urbanos. Rio de Janeiro, São Paulo e Natal talvez tenham sido as pioneiras. Esses eventos levaram a uma culminância do sentimento de desilusão da população - não só dos estudantes - com a situação do relacionamento dos poderes públicos municipais com os empresários do setor de transportes públicos. No mês de junho aconteceram as maiores manifestações em muitas capitais. A esta altura o movimento incluía oportunistas que traziam todo tipo de reivindicação para a sua pauta. O tema da corrupção foi intensificado com apoio de todos as correntes participantes. Havia um espectro difuso de ítens reivindicados, refletindo uma ausência dramática de lideranças políticas. Em São Paulo surgiu movimentos tais como o MBL e congêneres, que hoje sabemos terem sido financiados pelos irmãos Cohen, magnatas da extrema direita do petróleo nos EUA, interessados em uma desestabilização do estado brasileiro pelo interesse que mantêm no petróleo e na Petrobrás. Esses grupos foram também cooptados pelos políticos inescrupulosos que pululam (até hoje) em muitos partidos políticos brasileiros. Em 2014 houve eleição para presidente da República e a então presidente, Dilma Rousseff, do PT, se candidatou e ganhou, sendo reeleita, vencendo o então Senador Aécio Neves, candidato pelo PSDB. Neves, desde o dia do anúncio do resultado, falou em fraude na eleição e fez de tudo para anular o resultado da eleição. Não conseguiu. Mas conseguiu arregimentar inescrupulosos como ele no país inteiro para implementar intermitentes manifestações pelo impeachment da presidente Dilma Rousseff. Surgiram várias espécies de insatisfeitos com o governo, que antes nunca haviam se pronunciado, apesar do clima pleno de liberdade de expressão e manifestação garantido no país já há alguns anos. 2015 foi um ano perdido para o governo da presidente Rousseff, pelo boicote que sofreu no Congresso Nacional. As manifestações foram sendo intensificadas até em que abril de 2016 foi votado no Congresso Nacional o impedimento da presidente Rousseff. O processo de impeachment então passou ter seu ritual implementado e, em 31 de agosto, 2016, o Senado Federal ratificou o impeachment e Rousseff foi defenestrada do Palácio do Planalto. O líder político da arrumação, Michel Temer, vice-presidente de Rousseff, assumiu a presidência, consumando o golpe de estado parlamentar-midiático-empresarial que inaugurou a derrocada do Brasil. Em 2020, em plena de pandemia de CoViD-19, o país devastado, um presidente fascista que ganhou a eleição de 2018, protegido pelos poderosos, desempenha seu papel de modo que até surpreende seus manda-chuvas: ele se interessa em aplicar um golpe de estado apoiado pelas forças armadas. Mas temos que confiar nas instituições democráticas brasileiras, que elas serão capazes de impedir essa ação maligna desse presidente bosta. O nome dele é Bolsonaro. (Esse texto foi iniciado em 2019 e concluído em 03/05/2020)

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