Estavam sendo concluídos os últimos preparativos para a Primeira Reunião Decenal de Avaliação e Perspectivas dos Progressos Globais da Ciência (RDAPPGC I).
O tema geral da Reunião já havia sido definido: "Atitudes científicas: paradigmas para a vida cotidiana".
Os membros da comissão organizadora, exaustos de tanto trabalho, deram-se a chance de um momento de descontração e decidiram jantar juntos em um restaurante que pairava sobre a praia de Ponta Negra, com vista para o Centro de Convenções em que se realizaria a Reunião a qual estavam empenhados em organizar, e para a cidade do Natal, como uma das opções de terraço, ou com vista para o Morro do Careca e para o oceano Atlântico como outra esplendorosa opção, naquela noite de lua cheia.
Essa novidade tecnológica de controle gravitacional, que permite sustentar objetos massivos no ar, agora passava a ser empregada na construção civil com grande entusiasmo, principalmente depois que foi controlado o nível de ruído que caracterizava as primeiras iniciativas, nos anos 2030.
Todos vestiram a mochila propulsora que era disponibilizada e arremeteram para lá, aproximadamente a um quilômetro da praia, a uma altitude de aproximadamente cem metros em relação ao nível do mar.
Inevitavelmente, surgiram conversas sobre o próprio trabalho em que estavam envolvidos, e houve conjecturas a respeito dos temas que seriam mais concorridos no evento.
Dentre estes, certamente, haveria um público ávido por novas informações a respeito do processo de declínio da concentração de dióxido de carbono na atmosfera terrestre, iniciado em 2010 por decisão das históricas conversações climáticas de Copenhague, em Dezembro de 2009, oficialmente Convenção Estrutural das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas.
Naquelas conversações, alguém lembrou, foi decisivo o papel de liderança desempenhado pelos presidentes Lula, do Brasil, Hu Jintao, da China, e Manmohan Singh, da Índia, com o apoio do presidente Barack Obama, dos Estados Unidos, na sessão decisiva do último dia.
Mas em um momento alguém chamou a atenção para o simples fato de estarem ali reunidos, lembrando da trajatória de todos os envolvidos, desde os tempos da então nova escola secundária (antigo ensino médio) nos já longínquos anos 2020.
Todas aquelas pessoas pertenciam à primeira geração de brasileiros que teve sua formação realizada dentro da vigência da Reforma Educacional Brasileira, sistema de educação consubstanciado em lei, que fez avançar de forma revolucionária, na segunda década do século, quando todos ali presentes ainda eram adolescentes, a antiga Lei de diretrizes e bases da educação nacional.
O governo democraticamente eleito de Dilma Roussef, primeira mulher a chegar à presidência do Brasil, tendo à frente do Ministério da educação o ministro Fernando Haddad, o mesmo do governo Lula, desempenhou um papel histórico de coordenar o processo da Reforma no âmbito de toda a sociedade brasileira.
A opção preferencial pela escola pública foi tema de campanha midiática, para chamar a atenção da população que buscava qualidade de ensino e professores qualificados.
Todos reconheciam o privilégio de pertencerem a essa geração, reconhecida como a primeira a ter uma educação nos moldes do que realmente se deseja para a formação integral do cidadão e do profissional, especialmente de nível graduado.
Foi graças à educação que tiveram que tornou-se muito mais fácil para aqueles que desejaram seguir uma carreira em ciência realizarem os seus sonhos profissionais.
Naquele pequeno grupo havia já reconhecidos astrônomos, biólogos, físicos, geólogos, químicos, paleontólogos etc. Todos exerciam suas profissões de forma muito bem sucedida, além de serem, todos eles, professores, pois esta foi uma das mensagens incutidas na mente de todos eles enquanto estudantes: "aprendam uma profissão para exercer, mas deem sua contribuição como professor; aprendam as duas profissões para exercê-las com excelência."
Foi essa ideia que originou as Licenciaturas em todas as áreas do conhecimento, em que passou-se a dar ênfase aos aspectos pedagógicos. Todos passaram a aprender sobre educação; didática; história, filosofia e sociologia da ciência; ética; e instrumentação para o ensino de sua profissão. Tornou-se lugar comum levar para o ambiente de aprendizagem os resultados das pesquisas em ensino de ciências.
Foi inevitável o estabelecimento da valorização do professor, que a partir de então passou a ter uma carreira definida e um salário competitivo em todo o país, em comparação com as demais profissões. Foi assim que muita gente boa em suas profissões optou em permanecer e exercer a profissão docente.
É claro que muitos outros assuntos permearam aquele jantar em local tão agradável. Mas essa lembrança dos tempos de estudante os fez ainda mais conscientes de que outra educação foi possível, distinta daquela sem um perfil definido existente no país até o final da segunda década do século XXI.
Todos estavam felizes por serem quem eram, por terem tido a educação que tiveram, por serem brasileiros em um tempo tão favorável.
Ciclamio Leite Barreto, Natal, Dezembro 2009.
PÓS-ESCRITO (em 20 de Dezembro, 2009):
As conversações sobre as mudanças climáticas realizadas em Copenhague, Dinamarca, encerradas na Sexta- feira, 18 de Dezembro, 2009, levaram o órgão promotor, as Nações Unidas, a "tomarem nota" do acordo resultante, o qual parece ser de apenas alguns países, não de todos. Ao contrário do "Protocolo de Kyoto", este atual acordo está apoiado efetivamente pelos Estados Unidos, que participou das conversações representado não apenas pelos técnicos, mas por autoridades como a Secretária de estado, Hillary Clinton, e o próprio presidente Barack Obama. O consenso final deixou em aberto a questão de se o acordo ganharia suporte pleno dos países envolvidos nas conversações sobre as limitações aos riscos das mudanças climáticas. Tudo indica que uma decisão mais efetiva ficou para a COP-16, a ser realizada em 2010 na cidade do México.
Para saber mais, acesse:
http://www.nytimes.com/pages/business/energy-environment/index.html

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